#JujuHeroi | Um mês e muitas memórias | Li.Me

agosto 24, 2018

Faz hoje um mês...

Um mês que os nossos corações perderam um pedacinho... E ao mesmo tempo não.

Sim, parece complicado de entender mas, a verdade é que um pedacinho foi junto com o nosso filho. Ao mesmo tempo, esse pedacinho continua aqui, pois nunca vai-se perder.

Naquele dia o mundo parecia que não valia nada....

Naquele parecia que tudo se tinha virado contra nós pois nada do que estava a acontecer era justo.

Mas, na verdade, o que afinal é justo? Só aquilo que nós achamos que seja.

Muitas vezes diziamos ao nosso filho que ele era o nosso herói... E ele sempre disse que não.

"Então, Juju, o que és?"

"Eu sou o Juju."

E ele estava certo.

Ele não era um herói, ainda.

Agora é, com toda a certeza.

O nosso filho sempre foi um lutador.

Mesmo que estivesse doente, ele sorria, brincava, ria com vontade e ainda nos fazia rir!

Ele sempre foi assim, feliz.

Haveria muito que poderia falar sobre ele... Mas nem a minha vida iria ser o suficiente para partilhar convosco tudo o que esta criança especial fez na sua vida.

Foi curta, comparada com a minha que ainda tenho, mas foi sempre feliz. E todos que o conheceram sabem disso.

A morte cerebral é complicada... Existem algumas "variantes" e, como em tudo, cada caso é um caso.

Neste caso, mantê-lo ligado às máquinas de suporte de vida só iria trazer sofrimento. Tanto para ele como para nós, familia e amigos.

O corpo dele nunca iria desenvolver e o cérebro iria acabar por "explodir" fazendo o nosso filho deixar de parecer o nosso filho.

É frio dizer isto assim, principalmente sendo eu a mãe dele. Mas, por vezes, existem coisas necessárias a serem ditas e a melhor forma é ser directa.

Já me interroguei se fizemos a escolha certa... E não tenho mais dúvidas que fizemos.

Isso não era a opção que gostaríamos de ter para ele, não era da personalidade dele.

Ele gostava de ser livre e nós demos a "liberdade" em tudo o que fizemos para ele após o que aconteceu.

Eu expliquei este pequeno ponto porque foi uma pergunta que surgiu várias vezes e me fizeram várias vezes.

"E se ele pudesse, um dia, acordar?"

Isso, infelizmente, não iria acontecer, nunca... Por causa do que expliquei acima.

Acreditem, foi mais difícil para mim aceitar isso do que qualquer outra pessoa.


Hoje faz um mês.

Um mês que já não tenho aquele sorriso para me acordar nem aquelas mãozinhas para me agarrar o pescoço com força para que eu ficasse ali, na caminha dele, a dormir bem agarradinha a ele, mesmo que fosse desconfortável para os dois.

Faz um mês que não ouço "txi amo" ou então "ai uroviu tumati" (I love you too much)... Mas o meu coração está feliz...

O nosso filho cumpriu a sua parte no mundo, deixou a sua marca, toenou-se um herói e, acima de tudo, ensinou-se o que realmente é amar incondicionalmente.

Esse foi o seu propósito.

E eu estou muito orgulhosa do nosso filho!!

Juju, onde quer que estejas... Ai uroviu tumati!

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