#JujuHeroi | Quando se perde um filho | Li.Me

agosto 22, 2018

Quem acompanha aqui o blog sabe que já tive momentos em que deixei de publicar.

Uns por stress, trabalho, etc, outros por mudanças no blog.

Deste vez, o motivo é bem diferente e muito mais complicado.

Eu não precisaria de trazer este assunto aqui, uma vez que é a minha vida privada. Mas, o blog faz parte de mim e aquilo que partilho também faz parte.

Assim sendo, decidi trazer este assunto como forma de desabafo, minha auto-terapia e, também, na esperança de, talvez, de alguma forma poder ajudar alguém que passou pelo mesmo, está a passar, ou poderá passar no futuro.



Perdemos o nosso filho

Infelizmente é verdade. 

Faz hoje exactamente um mês que tudo aconteceu, de uma forma bem banal, e faz, a esta hora exactamente, um mês que estavamos a voltar para casa, vindos do hospital, com os nossos corações nas mãos e sem o nosso filho... 

Durante a manhã nada nos poderia dizer o que estava para acontecer. 

Agora que olho para trás, se calhar poderiam haver alguns sinais. Mas isso pode ser apenas o meu coração a tentar procurar respostas e conforto onde não existe. 

O nosso Juju estava a almoçar quando se engasgou com um pedacinho de comida. Como se costuma dizer, "foi pelo caminho errado" e ele começou a tossir, a não conseguir respirar e a perder o tom de pele dele natural.

Quando os bombeiros e médicos chegaram cá em casa tentaram retirar o pedaço de comida mas não conseguiram. Enquanto isso ele teve que ser reanimado... Ele estava a perder oxigénio..  

Já no hospital passaram algumas horas em que não recebiamos notícias, apenas que os médicos estavam a realizar o processo de retirar o pedaço de comida e a tentar estabilizar o nosso filho. 

Horas depois tivemos a nossa primeira conversa com os médicos. 

Como seria de esperar, fizeram todo o tipo de perguntas para perceberem o que aconteceu e como aconteceu. Explicamos tudo e veio, então, a vez deles falarem. 

Explicaram que ele estava estável mas o coração estava fraco pois tinha sido reanimado várias vezes e estava a tomar medicação para que o coração funcionasse. Certo... 

Explicaram, também, que estava sedado, coma indusido, para que se mantivesse estável e o corpo dele e órgãos pudessem recuperar lentamente e, uma vez que era uma criança de 2 anos e meio, seria mais fácil e seguro desta forma. Certo... 

Então explicaram a outra parte, e mais importante. 

O cérebro dele tinha ficado muito tempo sem a quantidade suficiente de oxigénio... E isso poderia levar por três caminhos.
O primeiro seria ele recuperar totalmente e ser uma criança normal. 
O segundo seria ele recuperar mas ficar com algum tipo de problema no cérebro que poderia causar alguma deficiência.
O terceiro seria ele não conseguir recuperar... 

O terceiro caso foi o que aconteceu... 

No dia seguinte ele ainda mostrava sinais de actividade cerebral mas continuava sedado. 

No outro dia, logo bem cedo de manhã, tudo mudou de figura quando houve mudanças nos exames de rotina que os médicos faziam. 

Ele passou o dia a fazer vários tipos de exames para que não houvesse nenhuma dúvida do que tinha acontecido... 

O nosso filho teve morte cerebral...

Um dos exames mostrou que haviam células cerebrais mortas e que estavam a danificar as outras... Isso poderia ter ficado apenas por aí e ele teria apenas uma deficiência. Mas essas células já mortas começaram a inchar, matar as restantes, e a parte principal do cérebro que comanda tudo não resistiu e parou de funcionar... 


Após a notícia

É escusado dizer que ficamos em choque... 

Embora nunca tenhamos perdido a esperança e sempre fazermos todo o tipo de perguntas para tentar encontrar uma solução, tivemos que fazer escolhas e tomar decisões. 

A primeira coisa em que pensamos foi em doar os órgãos. 

A nossa família tinha perdido um tesouro, mas, pelo menos, poderiamos tentar salvar e "curar" a dor de outras famílias.

Ele permaneceu, ainda, o dia seguinte à notícia ligado nas máquinas e, claro, sempre tinhamos esperança que tudo não passasse de um pesadelo. 

Ao quarto dia, de manhã, foi altura de realizar a operação para doação de órgãos... E foi aí, na hora em que começou a operação, que o meu coração mais apertou e fiquei sempre à espera de receber uma chamada para nos dizerem que o nosso filho tinha acordado... Mas não aconteceu... 

E agora?

O coração dele foi doado a um menino que fazia 1 ano naquele dia... E essa foi a melhor prenda que recebi do nosso filho!

Os rins dele também foram doados oara uma criança, o fígado para um adulto e ainda foram soadas as córneas. 

Até agora ainda não sabemos como correu tudo, mas vamos receber notícias. 

Agora... O que nos resta é lembrar de todoa oa bons momentos que tivemos juntos, lembrar que o nosso filho é um pequeno herói e pedacinhos dele estão vivas por aí a fazer outras famílias felizes. 

Agora..  Temos um anjinho da guarda apenas nosso e, apesar de tudo, tivemos a chance de o conhecer e conviver com esta criança incrível. 

A dor está lá, sempre estará, mas com o tempo será sentida de forma diferente.

Tudo isto foi apenas uma pequena parte de tudo o que aconteceu. 

Existem outras partes igualmente importantes e que gostaria de partilhar convosco. 

Acham que seria interessante?

Também podem fazer as vossas perguntas e eu tentarei sempre responder da melhor forma possível..

Desta vez foi apenas o começo do que aconteceu e como aconteceu. 

Talvez, em outro post, possa contar um pouco mais sobre o nosso Juju que agora é um grande herói para muitas famílias! E isso é muito mais do que qualquer pai e mãe poderiam pedir a um filho...

Beijinhos

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