Como foi o parto do meu filho? | A minha experiência | Li.Me

abril 16, 2018

Esta é uma das histórias que mais gosto de contar...

Não sei se é por ter sido uma dos momentos mais importantes para mim enquanto mulher e enquanto pessoa, ou se é por ter sido um dos momentos mais aterrorizantes da minha vida!

Sim, o parto do meu filho não teve nada de bonitinho, mas teve alguns momentos engraçados (do ponto de vista de agora).

Mas, vamos começar do início!

A fase do hospital

No post anterior contei um pouco de como foi a minha experiência do pré-natal por estas bandas alemãs e, falei também, que estive 3 dias no hospital antes do dia do nascimento para provocar o parto.

Como não me alonguei muito nesse assunto, vou explicar um pouquinho melhor neste post, já que faz parte de todo o ''processo'' do parto e preparação.

Recuando um pouquinho, eu estava com 73kg no final da minha gravidez. Visto assim não parece muito, mas, antes de engravidar, eu pesava 50kg.

Sim, engordei 23kg durante toda a gestação e não, nunca ninguém reclamou comigo por ter engordado tanto nem nunca ninguém me disse que tinha que fazer dieta (o meu ginecologista daqui não, mas em Portugal, antes de vir, já me tinham dito isso, sim).

A criança estava enorme dentro de mim e o meu ginecologista já me tinha dito que ele estava um pouco grande demais em relação ao meu corpo e que isso poderia fazer com que o parto fosse mais dolorido e, como já passavam mais de 10 dias depois da data prevista que era 15 de Janeiro de 2016, tive que provocar o parto tanto pelo tamanho da criança como pela saúde de ambos.

Tomei medicação para provocar o parto, fiz os exames regulares, subi e desci escadas e fiz tudo o que me diziam para fazer para ajudar na preparação do nascimento. No entanto, havia um problema: eu não sentia contracções e durante os exames elas sempre estavam no máximo.

O terceiro dia no hospital

O terceiro dia que passei no hospital à espera do nascimento do meu filho foi o mais assustador da minha vida.

O dia estava a ser um dia normal, continuava a ter contracções altas sem as sentir, o meu estado estava normal, tudo estava normal... até chegar o último exame do dia no final da tarde.

Como sempre, estava acompanhada pelo meu marido e estavamos a ouvir os batimentos cardíacos do nosso pimpolho, como normal, até que o pior dos nossos pesadelos aconteceu: a máquina começou a fazer o ''piiiiiiii'' seguido sem interrupções que qualquer pai/mãe tem medo nesta fase. Ou seja, o coraçãozinho dele tinha parado.

Mal nos demos conta disso chamamos a enfermeira e, mal entrou no quarto onde estava foi logo chamar um médico que veio acompanhado de outras enfermeiras e com uma seringa na mão para me injectar.

Foram muito rápidos mas ao mesmo tempo calmos e sempre tive uma enfermeira que me estava a explicar o que estava a acontecer e a tentar manter-me calma.

Calma???? Mas quem tem calma nestes momentos????

Nós os dois estavamos aflitos mas não queriamos atrapalhar o trabalho de ninguém e tinhamos mil e uma perguntas nas nossas cabeças!!

O importante é o coraçãozinho dele voltou a bater e o médico teve uma grande conversa connosco, respondeu a todas as nossas perguntas e, antes de nós mesmos dizermos alguma coisa ele perguntou se preferíamos esperar pelo momento ou marcar uma cesariana para o dia seguinte logo de manhã bem cedo.

Ele tinha explicado que o facto de ele ser muito grande para o meu corpo e de estar à 3 dias com contracções estava a fazer um enorme esforço no bebé, então decidimos não correr o risco e marcar a cesariana.

Explicou também que ele estaria lá durante a noite por isso eu poderia ir lá a qualquer momento caso sentisse algo de estranho e que faria um outro exame mais tarde.

Já com tudo estabilizado fui para o meu quarto jantar para depois descansar e, quando lá cheguei, já tinha as roupas no meu quarto para a cirurgia do dia seguinte.

O parto, finalmente

No exacto mesmo dia que tudo isto aconteceu, umas horas mais tarde, já eu estava sozinha no meu quarto a falar por chamada com o meu marido quando comecei a sentir aquela famosa vontade de ir ao WC.

Senti isso várias vezes, comentei com ele, mas nunca fazia nada... até que uma das vezes saiu um pouco de sangue. Logo liguei para ele e falei ''anda para o hospital que o teu filho vai nascer''.

Fui ter com as enfermeiras, fui ligada à máquina para medir as contracções e, enquanto isso, a minha bolsa estourou.

O mesmo médico que tinha falado connosco à tarde veio falar comigo e decidimos, então tentar o parto natural já que tudo estava a ficar encaminhado para isso.



As duas primeiras horas foram fáceis, aguentava bem as dores, apenas sentia muito calor e queria ir para a janela aberta (isto no final de mês de Janeiro), mas depois.... Depois, as dores que não tinha sentido durante os três dias com contracções altas começaram a dar a cara.

Praticamente esmagava a mão do meu marido de tanta força que fazia cada vez que vinha uma contracção e já nem precisava chamar as enfermeiras por que os meus gritos ouviam-se bem de lá do quarto.

As dores ficaram insuportáveis e eu tinha escolhido fazer sem a famosa Epidural, então...simplesmente me davam Ben-u-ron. Sim, isso mesmo, Paracetamol, melhor dizendo.

Mas...não ficou por aqui.

Estava a dilatar, as contracções estavam no ritmo certo para a criança nascer, mas não nascia!

O médico decidiu fazer um ultrassom para ver como o bebé estava e foi quando descobriu que a cabeça dele não estava correctamente posicionada para poder nascer. A cabeça dele estava a bater nos meus ossos e por isso ele não conseguia sair e eu sentia dores horríveis com tudo isso.



Então, veio parteira e enfermeiras para, basicamente, tentarem solucionar o problema e tentarem rodar a cabecinha dele para poderem fazer o parto.

Elas tentaram, o médico tentou, mais que uma vez... e nada... E, no meio disto disto, eu já estava à cerca de 7 horas assim e, para ''melhorar'' a situação, o coração dele parou mais duas vezes durante todo o processo do ''sai e não sai''.

Eu estava exausta, não aguentava mais as dores, já estava quase sem força e quase sem voz de tanto gritar e já nem chorar conseguia por que acho que já tinha chorado tudo o que tinha a chorar.

E, claro, o pai também não estava propriamente calmo.

Expliquei ao médico que eu já não me aguentava e que se tivesse que tentar novamente rodar a cabeça do bebé eu podia não conseguir aguentar as dores e tinha medo que algo de ruim acontecesse.

Ele não esperou e logo me medicou para que as contracções parassem e pudéssemos passar para a cirurgia pois, ele mesmo disse, que muito mais tempo poderia ser mau tanto para mim quanto para o bebé.

Foram bem rápidos em preparar tudo para a cirurgia e também prepararam o meu marido para que ele pudesse assistir ao parto.

Logo depois já estava numa sala branca cheia de pessoas prontas para me receberem e, logo que fui anestesiada e verificaram se tinha feito efeito ou não, o meu marido entrou na sala e tudo começou.

Tinha uma cortina a tapar a visão para a minha barriga, então não vimos a cirurgia em si mas, mal o pequenote saiu de lá de dentro, os médicos mostraram por cima da cortina e, logo depois, o pai foi com ele para a salinha ao lado para ser limpo e preparado para vir até mim.

O primeiro contacto

Quando olhei para o lado e vi o meu marido com aquela criaturinha nos braços... foi a imagem mais linda que já vi até hoje!

Deitaram-no no meu colo e, a primeira coisa que o meu filho me fez logo que nasceu, foi enfiar o seu dedinho com unha enorme dentro do meu olho! Não sei se chorei de felicidade ou de todas as dores que estava a sentir juntamente com aquela unha afiada no meu olho!

Só sei que sentí-lo ali coladinho a mim, vê-lo ali connosco e, mais tarde, poder tocar nele e pegar nele... tudo isso fez valer a pena todo o medo, desespero, dor que senti até tê-lo nos meus braços.

Não, não me arrependo em nada por tudo o que passei para tê-lo comigo e sim, tenho vontade de ter mais filhos mesmo que tenha que voltar a sentir todas aquelas dores.

Claro que desejo que seja diferente e melhor, saber que o coraçãozinho dele parou e poderia não ter voltado a bater assustou-nos imenso e não desejo que isso volte a acontecer tanto nele como num possível futuro bebé que venha a ter.

Apesar de tudo... aquele foi um dos dias mais felizes da minha vida até agora e, apesar de tudo, não quero nunca esquecer todas as sensações que senti naquele dia.

Beijinhos!

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