Artes de Sexta | 05 - A dança e a minha experiência

novembro 17, 2017

Já que hoje é dia de artes, trago-vos uma das três principais artes cénicas: a dança.

Já fez e ainda continua a fazer parte da minha vida.

Para além de explorar um pouco sobre a sua história, vou também falar-vos um pouco sobre a experiênca que tenho nesta arte.

Dança

A dança é caracterizada pelo uso de movimentos pré-estabelecidos, chamados de coreografia, ou improvisados pelo nosso corpo.

É uma arte que já se encontrava no antigo Egipto, danças em homenagem a Osíris, e também na Grécia, principalmente em jogos Olímpicos.

Em geral, acompanha o ritmo e compasso de um som ou música e procura expressar sentimentos e pensamentos, até mesmo críticas sociais ou ideias.



A dança já vem desde a pré-história, onde o Homem descobriu que poderia realizar movimentos diferentes acompanhados do som do bater com os pés no chão e acompanhar, posteriormente, com as mãos e braços, consequentemente, as palmas.

Com a evolução do Homem, a dança também evoluiu e ganhou conotações sagradas, movimentos místicos e era apresentada em rituais, principalmente ligados com religião e crenças.

Teve também uma decandência quando esta se tornou profana, tendo voltado, depois, com o Renascimento.

Para além de uma expressão artística, a dança também pode ser considerada uma forma de aprendizagem, lazer, fonte de prazer, desenvolvimento de criatividade e forma de comunicação.

Para além de tudo isto, a dança é uma forma de manter tanto o corpo como a mente sã, uma forma de descarregar o stress acumulado e uma forma de relaxamento.

Existem vários estilos de dança. Entre eles, os mais conhecidos são as danças de salão que reúne estilos característicos de bailes reais e outros, a dança oriental, dança clássica e dança contemporânea.

A minha experiência

Sempre gostei de dançar.

Sempre achei ser algo divertido e entusiasmante, algo que me fazia relaxar e ter pensamentos bons. Sempre senti que era algo que me fazia crescer e desenvolver capacidades, mesmo não ligadas directamente com esta arte, e sempre achei ser o ''espaço'' onde eu podia ser outra pessoa diferente daquilo que era no meu dia-a-dia.

Claro que nem sempre soube dançar. Ainda hoje posso dizer que, provavelmente, não sei dançar nem sou de longe a melhor bailarina que possam encontrar por aí. Mas, a meu ver, tenho algo que também faz falta neste pequeno grande mundo da dança: divirto-me com o que faço e gosto do que faço. Consequentemente, acredito no que faço e tenho confiança. Mas isto também nem sempre foi assim.

Quando comecei a aprender a dançar, em aulas de dança na escola secundária que frequentava, queria sempre ficar nas últimas filas para que ninguém me visse, principalmente a professora.

Tinha visto que haveria aulas de dança oriental e esse era o meu objectivo.

Mas, quando comecei a frequentar as aulas, dançavamos de tudo, menos aquilo que eu realmente queria!!

Cheguei a querer desistir, as danças eram ''complexas'' para mim que não tinha conhecimento de nada daquilo e, ainda por cima, juntaram-se as danças africanas!! 

Bem, para uma miúda que não sabia nada de nada, queria aprender a fazer aqueles movimentos espectaculares de anca e barriga, fazer movimentos de pernas e bumbum... a coisa por vezes não funcionava.

Mas, os ritmos das músicas eram bem cativantes.

Lembro-me que a primeira coreografia que começamos a trabalhar era de salsa, em grupo. (Nós eramos cerca de 50, ou se calhar bem mais!) Aquela música começou a ficar na minha cabeça e, em casa, eu já tentava lembrar-me de todos os passos e treinar para que, quando a próxima aula chegasse, eu pudesse acompanhar o grupo sem me enganar. 

Então a professora chegou com uma novidade: iriamos participar de um concurso regional de dança e iriamos ter espectáculos de apresentação! Isso foi o suficiente para me fazer querer ser melhor no que fazia.

Embora eu provavelmente não fosse ser notada, já que ficaca nas últimas filas, eu queria fazer boa figura.

Como é óbvio não vos vou contar cada pormenorzinho da minha evolução, seria bem chato de ler tudo!



As coisas foram evoluindo, fomos aprendendo ritmos novos, coreografias novas, e eu gostava cada vez mais de dançar!

Juntava-me a todo o tipo de actividades com dança que pudesse participar, treinava em casa, procurava ter as músicas para poder ouvir e ensaiar e cheguei a querer inventar as minhas próprias coreografias, embora sem grande sucesso. Não se pode saber fazer tudo, não é mesmo?

Entretanto, no final do 3º ano que estava no grupo (e último, pois a professora iria embora) surgiu uma oportunidade de acompanhar um primo que iria cantar na festa popular onde eu vivia. Ele sabia que eu dançava e convidou-me a dançar enquanto ele cantava, para poder fazer algo diferente. Convidei uma amiga que eu sabia que ia ser a minha melhor aliada! 

Para além dela saber dançar bem, ela também sabia coreografar e nós éramos bem parecidas! Claro, cada uma com o seu estilo de dança, mas na altura éramos quase ''unha e carne''.

Foi nesta altura que mais levei a dança a sério.

Chorei muito, quis desistir, achei que eu não era suficientemente boa para o trabalho que estavamos a criar. Havia estilos e passos que eu não conseguia encaixar nem por nada deste mundo mas ela, Raquel Pereira, sempre acreditou mais em mim que eu mesma.

Ela tinha paciência para me ensinar e firmeza para me fazer repetir as vezes que fossem necessárias até que tudo estivesse minimamente aceitável! Sim, também não éramos perfeitas, tinhamos os nossos erros, discussões, manias, mas em palco... acho que ninguém nos parava!

Ambas tínhamos a paixão pelo que faziamos, ambas queriamos ser melhores a cada dia, ambas queriamos ser diferentes no que faziamos e ambas queriamos dar tudo de nós quando subiamos ao palco e a música começava.

Essa fase, infelizmente acabou. Nós separamo-nos e cada um seguiu com a sua vida.

Depois disso comecei a fazer uso da dança para relaxar, em casa, para me divertir quando saía e, posteriormente, descobri que afinal podia voltar a ''mostrar'' o que sei fazer, embora não sendo a melhor.

Numa brincadeira resolvi fazer um show em um bar que frequentava. Depois disso comecei a fazer mais e mais shows, principalmente de dança oriental que sempre foi o estilo que mais gostei, e comecei a ser ''notada'' nos lugares que apresentava a minha ''arte''.

Fiquei por aí. Nunca quis ficar famosa com isso e o que fazia, para mim, já me bastava.

Dançava, divertia-me, as pessoas gostavam, aplaudiam-me e, como extra, ainda ganhava uns trocos!

E posso dizer que, por causa desses shows, conheci aquele que é hoje meu marido.

O mais importante para mim

Nunca tive o desejo de fazer da dança a minha vida mas, se pudesse, sim, voltaria para os palcos.

Para mim o mais importante é energia que todo esse mundo tráz. É indiscritível a sensação de estar num palco com público à nossa frente que nos aplaude e acarinha pelo trabalho que estamos a desenvolver.

É indiscritível a sensação de prazer a fazer algo que se gosta e, ao mesmo tempo, nos relaxa e liberta tanto o corpo como a mente e, de repente, parece que somos outras pessoas.

Sempre que danço transformo-me. Sou mais segura de mim mesma, daquilo que faço, por muito que me possm criticar. Afinal, gostos são relativos e o ser humano é imperfeito por natureza.

Hoje em dia já não danço da mesma forma. Não por que a minha vida tenha mudado, que realmente mudou, mas por que as minhas ideologias são outras assim como os objectivos.

Gostava sim de poder voltar a dançar e, quem sabe, um dia o faça. Mas penso que nunca mais vou conseguir sentir toda aquela energia que senti quando estive em palco com uma multidão à minha frente. Nunca se sabe.

E isto foi um pouquinho de mim.

Para quem tiver curiosidade vou deixar os links do meu canal pessoa do Youtube onde tenho alguns vídeos desses tempos (e estou também a começar a fazer alguns videos sobre outras coisinhas que podem achar interessantes) e vou deixar também o link para o canal da bailarina que referi acima para que possam ver, também, outros vídeos nossos assim como os que ela vai postando.

PS: Ela não sabe que a referi aqui! Só lhe vou contar depois de publicar este post! E também acho que não sabe que sinto falta de estar com ela em palco... daí dizer que, por muito que volte a estar em palco, nunca vai ser a mesma coisa.

Links:

Beijinhos!

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2 comentários

  1. Minha macaca linda! Fizeste-me chorar, isto nao se faz a uma pessoa ❤ sabes que tentei trazer te de novo para o pé de mim, mas nao percebi o que aconteceu, algo se passou e nao se concretizou �� Sabes bem que passe o tempo que passar a nossa cumplicidade continuará! E é claro que tenho muitas saudades tuas, dentro e fora de palco! Esteja eu onde estiver, fazes parte da minha vida sempre!

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    1. Foi o trabalho 😣 na altura surgiu-me uma oportunidade de trabalho na minha área e eu... pronto. "Coise" hehehe
      E tu também me fizeste a mim 😢
      Os problemas são normais, toda a gente os tem. E na adolescência nada é fácil e nós as duas teimosas como tudo pior ainda 😂😂
      Mas sim, tenho muitas saudades!

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